E quem era Floripes?
Eu não sei porque
não a vi, nem ninguém a viu, mas acreditava-se na sua existência
sobrenatural.
Minha avó dizia-me
que era uma moura encantada, muito linda, que em determinadas noites
aparecia ali a cantar e no seu cantar chorado pedia que a desencantassem
para lhe dar outra vida terrena e, quem conseguisse, ela daria muita riqueza
porque, sendo ela
muito rica,
casaria com ele. Porém, as condições para o
desencantamento eram impossíveis a um simples mortal realizá-las,
embora demasiado afoito, forte e aventureiro para tal empresa. Ele teria
que ir a pé com uma vela
acesa até uma das ilhas e voltar, durante a maré
vazia, que se mantinha. Se a vela
se apagasse durante os trajectos, ele seria submerso pelas águas. O
pior seria o encontro com a Floripes porque ela teria
encantos
tais que convenceria o mais medroso
a arriscar-se
ao encantamento. Por isso todos fugiam a passar no sítio
onde ela costumava
“aparecer”.
Os
nossos homens do mar até há pouco tempo receavam a Floripes e eram
muito poucos os que se aventuravam a passar a noite por aquele
local.