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Porto de Pesca Olhão

Porto de abrigo, local onde se encontra todo a frota de pesca de Olhão, desde as traineiras, barcos da marinha, barcos de recreio, entre outros mais. Servindo também para a descarga de Peixe. Porto de Pesca com um passado histórico relevante. Tentamos com a presente página dar a conhecer um pouco de tudo que fez do nosso porto de Olhão Conhecido.

História
Caíque
Pesca do Espinel
As Artes
Armação da sardinha à Velenciana
Construção Naval
Artesanato Relacionado Com a Pesca
Indústrias Susbidiárias de Pesca
Sal
Amêijoa
Balizagem do Porto de Olhão


Olhao.net Copyrigth Autor João Barros

 

 

 

 

 

 

 

Breve história

Cerca de 1970 os pescadores dedicavam-se à pesca da pescada, destinada não só ao consumo local, mas também para exportação, nos quais andavam cerca de 500 homens em 30 barcos. Também na altura se capturavam peixes denominados, negras e quelmes, cuja pele era usada para fazer lixas, o seu óleo para iluminação e a carne para a alimentação, depois de seca.

O primeiro barco que se fixou em olhão foi o caíque. Este barco já existia em Faro, a cerca de 8 Km de Olhão e era aqui que eles vinham abastecer-se de água para consumirem. É a água que está associado o nome de Olhão, que provêm exactamente de um grande olho de água que existia. O principal pescado nesta época era a pescada, goraz, sardinha, besugo, cavala, corvina, pargo, atum, várias espécies de peixe de couro como o carocho e barroso. Estas espécies eram capturadas pelos caíques. Entretando desapareceu este barco, vencido pelo tempo, mas só depois de um passado glorioso que honra a própria terra da restauração. A presença do caíque brazonando o seu pendão é motivo para enobrecer Olhão. Foi num caíque que um grupo de gente do mar partiu de Olhão em 1808 para ir levar a D. João VI no Brasil a notícia do levantamento popular coroado do maior êxito, que nesta humilde terra pequenina se iniciara para libertar o país dos soldados de Napoleão. Foi neste mesmo barco que partiram para Angola há mais de um século colonizadores, que criaram cidades, onde desenvolveram as artes de pescas em que eram vivamente entendidos. Por força do destino hoje vemos que estas viagens foram um quanto ou tanto inglórias, visto Angola se encontrar num caos.

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Caíque, pesca e sua História

Barco de cerca 18 a 20 metros de comprimento e aproximadamente 6 metros de boca. Coberta corrida, popa quadrada e a proa era direira, com dois mastros, um deles inclinado para vante(frente) e outro para ré(atrás), onde se cruzavam duas velas «bastardo», sebdo a da frente ou «traquete» um pouco maior que a da ré. Estes barcos eram tripulados por cerca de 15 a 20 homens. Estes pescadores tinham cada um uma cana com cerca de 2 a 3 braças de fio e um anzol. Era desta forma que faziam as suas pescarias até encherem o barco. A temporada de pesca ia normalmente de Abril a Setembro. Eu como um adepto fanático de pesca, o quanto eu gostaria que o mar voltasse a ter a abundância de peixe que tinham nessas épocas.

Os pescadores iam nos caíques até aos mares de Larache(frente da costa marroquina), onde se dedicavam à pesca da cavala, que naquela altura abundava no mar de marrocos, mas que era escassa na nossa costa. A cavala assim que era pescada, era imediatamente salgada. Estes pescadores usavam aparelhos com cerca de 20 braças de comprimento e sómente um estralho com um único anzol, tendo uma chumbada na sua extremidade e o estralho era forrado doutro fio muito fino denominado «louro», muito resistente, para que o peixe não o cortasse, para a pesca do «atacado», em que pescavam chernes, safios, peixe-espada e pescada, usavam esta pesca quando avistavam grandes cardumes de peixe junto à pedra. Esta pesca era feita de Outubro até à Quaresma. Quando o peixe era pescado em demasia, este era transportado para Lisboa. A cavala mesmo apanhada em abundância era trazida para Olhão, uma vez que era consumida em elevada escala, depois de ser conservada pelo sal durante meses; outra parte era também transportada para o Norte, onde este peixe atingia um elevado valor.

Existiam cerca de 34 caíques da pesca do alto mar em Olhão na epoca de 1905, com cerca de 21 tripulantes em média, além de exitirem muitas outras embarcações de tipos diferentes.

Actualmente no nosso porto de pesca, existe apenas uma reminiscência do caíque no barco «Maria da Encarnação» do falecido mestre Carlos AugustoCativo, conhecido por Balé-Balé, que morreu à entrada da barra, quando foi arrebatado do leme que governava.

Publicado pelo autor, Manuel domingos Terramoto, na Revista «Jornal do Pescador» nº 298, de Novembro de 1963.

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Pesca do Espinel

Os barcos utilizados nesta pesca eram de boca aberta com cerca de 14 a 15 metros de comprimento, providos apenas à proa de uma atilha, com uma cobertura de 5m. Era nesta atilha que eram guardados os mantimentos, velas que levavam quando iam para o mar. Pescava-se o carocho a cerca de 570 braças de água e a cerca de 850 braças as lixas com o mesmo aparelho. Na pesca do carocho usavam-se 3 aparelhos, um dos quais tinha 15 talas e que era preso à popa, outro com 14 talas que era preso a meio do barco, e finalmente o último com 12 talas que era preso à proa, por meio de cabos que eram ligados a cada aparelho. Cada tala tinha 27 braças e 35 anzóis. Sendo estes iscados com sarda, ou também se usava o choco, lula, atum e outros peixes. Onde se pretendia ao barco era feito com linho do melhor, para não partir, com a grossura aproximada de um dedo, diminuindo essa grossura até ao extremo do aparelho. De metro a metro era fixo um estralho de um metro, com anzol de arame medindo 18 Cm. esta pesca já era conhecida em 1758, era praticada nos meses de Maio a Setembro. Esta pesca foi decaindo gradualmente porque exigia muita perícia, capital e conhecimentos. O barco saia para o mar depois do meio dia, com cerca de 23 homens e chegava ao local da pesca ao nascer do sol do dia seguinte. Ali permanecia até atestar o barco, cerca de 4 dias. Pois não poderiam permanecer mais tempo, porque o peixe se poderia detereorar. Esta pesca era arriscada porque quando se levantava mau tempo, o levantar das artes era muito demorada, podendo pôr assim em risco a tripulação, e mesmo no regresso atravessavam por vezes o temporal. O carocho era um peixe com cerca de 1,2 Mt, e a pele era aproveitada para lixa, os fígados para extrair óleo, do qual se fazia azeite, e a polpa para a cozinha, mas depois de estar seca. O espinel era uma vida muito arriscada, pois além dos mares que se fazem, o barco era frágil e à vela, de boca aberta com 2 dezenas de pescadores. A captura das artes em risco era demorada, provocando ansiedade, e por mais sabendo eles que se encontravam mutio longe de casa. Não existe nenhuma dúvida que o risco que estes pescadores corriam era de uma coragem de louvar. Eram poucos aqueles que governavam os barcos de espinel.

 

Publicado pelo autor, Manuel domingos Terramoto, na Revista «Jornal do Pescador» nº 300, de Janeiro de 1964.

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As artes

As artes percursoras da pesca de sardinha, foram as «artes de xávega». Que como se sabe a pesca da sardinha sustenta uma grande parte da nossa frota de pesca, pois trabalhamos muito com a sardinha. O consumo desta é feita em conserva, como através da tão conhecida sardinhada assada dos nossos dias, entre outros pratos. Se não fosse a arte da xávega que em Olhão se estabeleceu por volta de 1830, talvez Olhão não tivesse o desenvolvimento que teve graças à indústria das fábricas da sardinha, embora nos dias actuais só existam cerca de 3 fábricas a trabalhar com sardinha e antigamente eram na ordem das dezenas. Esta pesca, foi a principal condutora para que nos dias actuais se pudessem capturar peixe em quantidades elevadas. A arte de pesca era constituida por um calão, batel e uma rede de arrasto, que tinha um grande saco no seu centro. Essa pesca era feita aqui na nossa costa. O calão partia e era seguido por um batel, quando o pesqueiro era encontrado, o calão começava por deixar na praia o chicote da banda da panda, e ia largando rede, enquanto ia descrevendo um círculo até chegar ao outro extremo do chicote, que era entregue aos homens do batel, que estavam na praia e depois começavam a alar a rede para terra. O mestre abandonava o calão e seguia a captura do pescado, verificando em que sitio da rede o peixe se aglomerava, para dar as ordens, enquanto os homens puxavam a rede ele ia para junto do saco. Esta pesca geralmente era feita de noite pelo que o mestre tinha de acender um archote para dar do lado do mar indicações através do movimento do archote, aos homens que puchavam a rede. Este "ritual" durava cerca de 2 horas, que era o tempo que os homens levavam a alar a rede, quando o peixe chegava era um festival de peixe aos saltos, os chalavares enchiam-se de peixe, pescada pequena, linguados, carapau, sardinha, biqueirão e por vezes lá vinha um peixe maior, atum, toninha e outras espécies mais raras. Esta pesca era mais difícil no inverno, uma vez que os pescadores molhavam a sua roupa e devido ao calor que o corpo transbordava do esforço efectuado com o frio, os corpos gelavam. Um lanço efectuado de 400 a 500 milheiros de peixe miúdo já era bom, para toda a companha, cerca de 2o homens. Com o aparecimento das armações à valenciana, estas artes foram desaparecendo, embora nas estatíticas de 1905 figurem no Porto de Olhão a existência de 3 artes. A "arte da cávega" ainda é utilizada em Monte Gordo e Quarteira. Existe ao largo da nossa costa entre a Armona e a Fuseta uma armação Japonesa para o Atum, cuja espécie é exportada e atinge valores astronómicos por Kg. Hoje a "Arte da Xávega" é uma enorme saudade nos pescadores mais antigos, pois foi estas artes que eles passaram muito do seu tempo dedicado à pesca.

Publicado  na Revista «Jornal do Pescador» nº 303, de Abril de 1964

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Armação da Sardinha à Valenciana

Estas armações apareceram cerca de 1884 na nossa costa, onde chegaram a existir 12, no espaço compreendido entre Faro e Fuzeta, a distância entre cada armação era cerca de 2 Km., passando mais tarde a 1 Km.

De 1890 a 1903 o número ainda aumentou até 19, cobrindo a orla da costa, levando por isso ao desparecimento da arte da xávega. A barragem do peixe nestas armações impossibiltava a passagem para as artes da xávega. Esta arte era menos cansativa e trabalhosa, mas mais remuneradora. O peixe que era capturado com maior abundância era a sardinha, mas aparecia também pargos, carapaus, corvinas, etc. A rede era marcada com boias de cortiça e barris de madeira presos à tralha da rede, e eram fixas no fundo através de 34 ferros(âncoras), dispostos ao longo da rede de ambos os lados. Trabalhavam nesta arte cerca de 70 pescadores, uns iam para o mar e outros ficavam a remendar as redes, arranjar boias, fazendo outros trabalhos necessários à sua pesca. Esta pesca era feita frequentemente, salvando os casos em que a aguagem(corrente) era muito forte impossibilitando o trabalhar correcto das redes. Todos os tipos de pesca são sempre acompanhados por falas próprias que dirigem o decorrer da lide. Era no extremo Leste da Ilha da Culatra que ficava o araial de todas as embarcações.   Quinzenalmente era feito o pagamento à companha, que recebia 12 vinténs e 10% do valor da pesca. O dia 10 de Março de 1898 ficou marcado pelo vendaval, nesse mês houve uma abundância  enorme de peixe nas armações, algumas armações já tinham enviado peixe para terra, só à sua parte 4 batéis de peixe, o que era muito raro acontecer. Os pescadores no vendaval, perderam tudo quanto traziam para terra, só sobrevivendo porque se agarravam a remos, mastros e atudo quanto flutuasse, até que se salvaram pelos seus próprios meios, enquanto outros foram mais tarde resgatados. Isto passou-se na ria formosa. Cerca de 1900 veio a Olhão o Rei D. Carlos no seu iate. este monarca distinguiu sempre os pescadores de Olhão e contratou muitos para o seu próprio serviço.  Estas armações também vieram a acabar por volta de 1927, com o aparecimento das "sacadas" e dos cercos a remos.

Publicado  na Revista «Jornal do Pescador» nº 304, de Maiol de 1964

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A Construção Naval no Porto de Olhão

Logo que a pesca se começou a desenvolver em Olhão, existiu a necessidade de se dedicar à construção naval. Em 1790 já existiam neste Porto cerca de 114 embarcações que andavam a pescar, sendo natural por isso que já se construissem / arranjassem barcos em Olhão. Em 1834 já existia uma frota de barcos em olhão, quer para apesca, quer para o comércio, e de bom porte, cerca de 20 caíques de 3000 a 4000 arrobas e alguns iates empregues na condução do pescado para o País e para o Estrangeiro, o que faz pensar que nessa altura já a construçõa naval em Olhão atingira maturidade, encontrando-se referência a uma nota existente "todas as embarcações são aqui construídas em madeira dos pinheiros vastos". Nesse mesmo ano existem notas da partida de alguns calafates seduzidos pela aventura que levou muita gente para terras distantes. Em 1857 o estaleiro passou da Avª 5 de Outubro junto ao mercado da verdura, para junto do moinho da banda de levante, onde reside nos dias de hoje. Não se sabe ao certo a data em que o estaleiro começou a trabaçlhar. Em 1905 já existiam três calafates em Olhão, ou seja 3 estaleiros. Não se conhece a origem dos primeiros carpinteiros que vieram trablhar nestes estaleiros, presumindo que possivelmente fossem de Faro ou de Tavira, uma vez que estas terras já à muito tinham os seus estaleiros, principalmente Tavira, onde existia um movimentado Porto Comercial e grande tráfego de Caíques. Os barcos aqui construidos tinham fama, poruqe tinham um armado que lhes dava mais rapidez na navegação. Assim como a construção civil em Olhão criou uma arquitectura especial, a cubista, com soteias, mirantes e contramirantes, e também a construção naval criou um novo tipo de embarcações, se bem que em tudo semelhantes às que existiam já no Algarve. Eram construidos lanchas, saveiros, caíques, lanchas, canoas, chatas, botes, traineiras, buques, barcas, batéis, calões.... O esqueleto do barco é todo criado em terra, mas claro tem é de se comportar bem nomar, onde é ali que tem de flutuar, que para atingir um equilibrio perfeito, tem de obedecer a uma técnica  que só os pais dispunham e que eram herdados pelos filhos, e que valiam uma herança. Esta arte seria um acomular de muitas experiências e muitos anos passados de gerações em gerações e baseava-se em moldes que davam a perfeição aerodinâmica ao barco. Olhão que construiu os famosos caiques que povoaram os portos desertos de Angola, que foram ao Brasil e sulcaram o Mediterrâneo, bem poderia vir a desempenhar um papel importante na arte naval da actualidade.

 

Publicado  na Revista «Jornal do Pescador» nº 310, de Novembrol de 1964

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Artesanato Relacionado com a Pesca

 

Era utilizado antigamente em Olhão uma actividade artesanal para a elaboração de artigos relacionados com a pesca. Eram construidos barris pelos tanoeiros que eram utilizados como boias nas armações de sardinhas, de cascos que se empregavam para a conservação e expedição de biqueirão e sardinha, e de celhas para a preparação de salmouras. Era empregue mão de obra hábil, que de martelo e escopro na mão elaborava com primórdio as suas tarefas.