Entrada Olhão Celebre Caique

Celebre Caique

 

 

 

 

 

Caíque

Miniatura do Caíque ‘‘Bom sucesso’’, que partiu de Olhão em 1908 rumo ao Brasil.

Barco de cerca 18 a 20 metros de comprimento e aproximadamente 6 metros de boca. Coberta corrida, popa quadrada e a proa era direira, com dois mastros, um deles inclinado para vante(frente) e outro para ré(atrás), onde se cruzavam duas velas «bastardo», sebdo a da frente ou «traquete» um pouco maior que a da ré. Estes barcos eram tripulados por cerca de 15 a 20 homens. Estes pescadores tinham cada um uma cana com cerca de 2 a 3 braças de fio e um anzol. Era desta forma que faziam as suas pescarias até encherem o barco. A temporada de pesca ia normalmente de Abril a Setembro. Eu como um adepto fanático de pesca, o quanto eu gostaria que o mar voltasse a ter a abundância de peixe que tinham nessas épocas.

Os pescadores iam nos caíques até aos mares de Larache(frente da costa marroquina), onde se dedicavam à pesca da cavala, que naquela altura abundava no mar de marrocos, mas que era escassa na nossa costa. A cavala assim que era pescada, era imediatamente salgada. Estes pescadores usavam aparelhos com cerca de 20 braças de comprimento e sómente um estralho com um único anzol, tendo uma chumbada na sua extremidade e o estralho era forrado doutro fio muito fino denominado «louro», muito resistente, para que o peixe não o cortasse, para a pesca do «atacado», em que pescavam chernes, safios, peixe-espada e pescada, usavam esta pesca quando avistavam grandes cardumes de peixe junto à pedra. Esta pesca era feita de Outubro até à Quaresma. Quando o peixe era pescado em demasia, este era transportado para Lisboa. A cavala mesmo apanhada em abundância era trazida para Olhão, uma vez que era consumida em elevada escala, depois de ser conservada pelo sal durante meses; outra parte era também transportada para o Norte, onde este peixe atingia um elevado valor.

Existiam cerca de 34 caíques da pesca do alto mar em Olhão na epoca de 1905, com cerca de 21 tripulantes em média, além de exitirem muitas outras embarcações de tipos diferentes.

Actualmente no nosso porto de pesca, existe apenas uma reminiscência do caíque no barco «Maria da Encarnação» do falecido mestre Carlos AugustoCativo, conhecido por Balé-Balé, que morreu à entrada da barra, quando foi arrebatado do leme que governava.

Publicado pelo autor, Manuel domingos Terramoto, na Revista «Jornal do Pescador» nº 298, de Novembro de 1963.

Last Updated (Saturday, 07 May 2011 12:11)