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As Artes

As artes

As artes percursoras da pesca de sardinha, foram as «artes de xávega». Que como se sabe a pesca da sardinha sustenta uma grande parte da nossa frota de pesca, pois trabalhamos muito com a sardinha. O consumo desta é feita em conserva, como através da tão conhecida sardinhada assada dos nossos dias, entre outros pratos. Se não fosse a arte da xávega que em Olhão se estabeleceu por volta de 1830, talvez Olhão não tivesse o desenvolvimento que teve graças à indústria das fábricas da sardinha, embora nos dias actuais só existam cerca de 3 fábricas a trabalhar com sardinha e antigamente eram na ordem das dezenas. Esta pesca, foi a principal condutora para que nos dias actuais se pudessem capturar peixe em quantidades elevadas. A arte de pesca era constituida por um calão, batel e uma rede de arrasto, que tinha um grande saco no seu centro. Essa pesca era feita aqui na nossa costa. O calão partia e era seguido por um batel, quando o pesqueiro era encontrado, o calão começava por deixar na praia o chicote da banda da panda, e ia largando rede, enquanto ia descrevendo um círculo até chegar ao outro extremo do chicote, que era entregue aos homens do batel, que estavam na praia e depois começavam a alar a rede para terra. O mestre abandonava o calão e seguia a captura do pescado, verificando em que sitio da rede o peixe se aglomerava, para dar as ordens, enquanto os homens puxavam a rede ele ia para junto do saco. Esta pesca geralmente era feita de noite pelo que o mestre tinha de acender um archote para dar do lado do mar indicações através do movimento do archote, aos homens que puchavam a rede. Este "ritual" durava cerca de 2 horas, que era o tempo que os homens levavam a alar a rede, quando o peixe chegava era um festival de peixe aos saltos, os chalavares enchiam-se de peixe, pescada pequena, linguados, carapau, sardinha, biqueirão e por vezes lá vinha um peixe maior, atum, toninha e outras espécies mais raras. Esta pesca era mais difícil no inverno, uma vez que os pescadores molhavam a sua roupa e devido ao calor que o corpo transbordava do esforço efectuado com o frio, os corpos gelavam. Um lanço efectuado de 400 a 500 milheiros de peixe miúdo já era bom, para toda a companha, cerca de 2o homens. Com o aparecimento das armações à valenciana, estas artes foram desaparecendo, embora nas estatíticas de 1905 figurem no Porto de Olhão a existência de 3 artes. A "arte da cávega" ainda é utilizada em Monte Gordo e Quarteira. Existe ao largo da nossa costa entre a Armona e a Fuseta uma armação Japonesa para o Atum, cuja espécie é exportada e atinge valores astronómicos por Kg. Hoje a "Arte da Xávega" é uma enorme saudade nos pescadores mais antigos, pois foi estas artes que eles passaram muito do seu tempo dedicado à pesca.

Publicado  na Revista «Jornal do Pescador» nº 303, de Abril de 1964