Entrada Porto de Pesca Armação da Sardinha à Valenciana

Armação da Sardinha à Velenciana

Armação da Sardinha à Valenciana

Estas armações apareceram cerca de 1884 na nossa costa, onde chegaram a existir 12, no espaço compreendido entre Faro e Fuzeta, a distância entre cada armação era cerca de 2 Km., passando mais tarde a 1 Km.

De 1890 a 1903 o número ainda aumentou até 19, cobrindo a orla da costa, levando por isso ao desparecimento da arte da xávega. A barragem do peixe nestas armações impossibiltava a passagem para as artes da xávega. Esta arte era menos cansativa e trabalhosa, mas mais remuneradora. O peixe que era capturado com maior abundância era a sardinha, mas aparecia também pargos, carapaus, corvinas, etc. A rede era marcada com boias de cortiça e barris de madeira presos à tralha da rede, e eram fixas no fundo através de 34 ferros(âncoras), dispostos ao longo da rede de ambos os lados. Trabalhavam nesta arte cerca de 70 pescadores, uns iam para o mar e outros ficavam a remendar as redes, arranjar boias, fazendo outros trabalhos necessários à sua pesca. Esta pesca era feita frequentemente, salvando os casos em que a aguagem(corrente) era muito forte impossibilitando o trabalhar correcto das redes. Todos os tipos de pesca são sempre acompanhados por falas próprias que dirigem o decorrer da lide. Era no extremo Leste da Ilha da Culatra que ficava o araial de todas as embarcações.   Quinzenalmente era feito o pagamento à companha, que recebia 12 vinténs e 10% do valor da pesca. O dia 10 de Março de 1898 ficou marcado pelo vendaval, nesse mês houve uma abundância  enorme de peixe nas armações, algumas armações já tinham enviado peixe para terra, só à sua parte 4 batéis de peixe, o que era muito raro acontecer. Os pescadores no vendaval, perderam tudo quanto traziam para terra, só sobrevivendo porque se agarravam a remos, mastros e atudo quanto flutuasse, até que se salvaram pelos seus próprios meios, enquanto outros foram mais tarde resgatados. Isto passou-se na ria formosa. Cerca de 1900 veio a Olhão o Rei D. Carlos no seu iate. este monarca distinguiu sempre os pescadores de Olhão e contratou muitos para o seu próprio serviço.  Estas armações também vieram a acabar por volta de 1927, com o aparecimento das "sacadas" e dos cercos a remos.

Publicado  na Revista «Jornal do Pescador» nº 304, de Maiol de 1964