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Construção Naval

A Construção Naval no Porto de Olhão

Logo que a pesca se começou a desenvolver em Olhão, existiu a necessidade de se dedicar à construção naval. Em 1790 já existiam neste Porto cerca de 114 embarcações que andavam a pescar, sendo natural por isso que já se construissem / arranjassem barcos em Olhão. Em 1834 já existia uma frota de barcos em olhão, quer para apesca, quer para o comércio, e de bom porte, cerca de 20 caíques de 3000 a 4000 arrobas e alguns iates empregues na condução do pescado para o País e para o Estrangeiro, o que faz pensar que nessa altura já a construçõa naval em Olhão atingira maturidade, encontrando-se referência a uma nota existente "todas as embarcações são aqui construídas em madeira dos pinheiros vastos". Nesse mesmo ano existem notas da partida de alguns calafates seduzidos pela aventura que levou muita gente para terras distantes. Em 1857 o estaleiro passou da Avª 5 de Outubro junto ao mercado da verdura, para junto do moinho da banda de levante, onde reside nos dias de hoje. Não se sabe ao certo a data em que o estaleiro começou a trabaçlhar. Em 1905 já existiam três calafates em Olhão, ou seja 3 estaleiros. Não se conhece a origem dos primeiros carpinteiros que vieram trablhar nestes estaleiros, presumindo que possivelmente fossem de Faro ou de Tavira, uma vez que estas terras já à muito tinham os seus estaleiros, principalmente Tavira, onde existia um movimentado Porto Comercial e grande tráfego de Caíques. Os barcos aqui construidos tinham fama, poruqe tinham um armado que lhes dava mais rapidez na navegação. Assim como a construção civil em Olhão criou uma arquitectura especial, a cubista, com soteias, mirantes e contramirantes, e também a construção naval criou um novo tipo de embarcações, se bem que em tudo semelhantes às que existiam já no Algarve. Eram construidos lanchas, saveiros, caíques, lanchas, canoas, chatas, botes, traineiras, buques, barcas, batéis, calões.... O esqueleto do barco é todo criado em terra, mas claro tem é de se comportar bem nomar, onde é ali que tem de flutuar, que para atingir um equilibrio perfeito, tem de obedecer a uma técnica  que só os pais dispunham e que eram herdados pelos filhos, e que valiam uma herança. Esta arte seria um acomular de muitas experiências e muitos anos passados de gerações em gerações e baseava-se em moldes que davam a perfeição aerodinâmica ao barco. Olhão que construiu os famosos caiques que povoaram os portos desertos de Angola, que foram ao Brasil e sulcaram o Mediterrâneo, bem poderia vir a desempenhar um papel importante na arte naval da actualidade.

 

Publicado  na Revista «Jornal do Pescador» nº 310, de Novembrol de 1964