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Pesca do Espinel

Pesca do Espinel

 

Os barcos utilizados nesta pesca eram de boca aberta com cerca de 14 a 15 metros de comprimento, providos apenas à proa de uma atilha, com uma cobertura de 5m. Era nesta atilha que eram guardados os mantimentos, velas que levavam quando iam para o mar. Pescava-se o carocho a cerca de 570 braças de água e a cerca de 850 braças as lixas com o mesmo aparelho. Na pesca do carocho usavam-se 3 aparelhos, um dos quais tinha 15 talas e que era preso à popa, outro com 14 talas que era preso a meio do barco, e finalmente o último com 12 talas que era preso à proa, por meio de cabos que eram ligados a cada aparelho. Cada tala tinha 27 braças e 35 anzóis. Sendo estes iscados com sarda, ou também se usava o choco, lula, atum e outros peixes. Onde se pretendia ao barco era feito com linho do melhor, para não partir, com a grossura aproximada de um dedo, diminuindo essa grossura até ao extremo do aparelho. De metro a metro era fixo um estralho de um metro, com anzol de arame medindo 18 Cm. esta pesca já era conhecida em 1758, era praticada nos meses de Maio a Setembro. Esta pesca foi decaindo gradualmente porque exigia muita perícia, capital e conhecimentos. O barco saia para o mar depois do meio dia, com cerca de 23 homens e chegava ao local da pesca ao nascer do sol do dia seguinte. Ali permanecia até atestar o barco, cerca de 4 dias. Pois não poderiam permanecer mais tempo, porque o peixe se poderia detereorar. Esta pesca era arriscada porque quando se levantava mau tempo, o levantar das artes era muito demorada, podendo pôr assim em risco a tripulação, e mesmo no regresso atravessavam por vezes o temporal. O carocho era um peixe com cerca de 1,2 Mt, e a pele era aproveitada para lixa, os fígados para extrair óleo, do qual se fazia azeite, e a polpa para a cozinha, mas depois de estar seca. O espinel era uma vida muito arriscada, pois além dos mares que se fazem, o barco era frágil e à vela, de boca aberta com 2 dezenas de pescadores. A captura das artes em risco era demorada, provocando ansiedade, e por mais sabendo eles que se encontravam mutio longe de casa. Não existe nenhuma dúvida que o risco que estes pescadores corriam era de uma coragem de louvar. Eram poucos aqueles que governavam os barcos de espinel.

 

Publicado pelo autor, Manuel domingos Terramoto, na Revista «Jornal do Pescador» nº 300, de Janeiro de 1964.

 

Olhao.net Copyrigth Autor João Barros