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Carta do Maritimo

 Farcisca

 À diase do mar dase Berlengase, a sete braçase e mêa de mar, empensarem-se ase grosêrase Disto, vem de lá o mariola do tê pai e me dezeu. ele assim :
- Mó ó móce ! tu ése um montanhêre, tu fazes um grande salcrafice em virese ó mar !...
- Ah! 0 que é que você me dize, hom

- Digue-te iste e nã casase ca nha filha !

-Allamese ! Farcisca ! ê cá antese cria cu tê pai me desse doi ó trê estragaços da cara, que me dessesse aquil que tá ali da frente de gente.

Viémese pá terra e a companha do barque nã falava doutra coisa.
Disto, vem de lá o mano Zé Chaveca  e me dezeu ele assim:

-Mó, ó móce! Tase-te a ralar?

- Atão nã m´ êde ralar?

- Mã te ralese rapá, se nã casarese cúa filha dele casase ca minha

É pra, que vêjase, Farcisca, cainda tenhe pretendentase Tu pen­sase cú tê pai é o é o Prencêse D.Carlos? A tua mãi a Rainha D. Imélia e os tês ermãos os Enlefantesinhos ?
Alhamese ! ele é mai brute cá mãi dos penhêrese do mane João Luice.
Dêxa lá cuma viage quê face ó mar de Larache , ganhe o denhêre às braçadase. Compre um chapéu de côque, uma vengala botas de ren­gedêra e tapadoiro Passe a barlavante da tu porta e arraste os peses comó gale. Tu vêse‑me e falase-me, mai ê cá veje-te e nã te fale.
Ah! sabes o quê cá quere, é que nã falese mal da nha pelha prêces rebêres e tainquese.
Ai, se maparece alguma noda do mê corpe..

Digue logue que  forem vocêse que me fizerem mal, calha bem !

Ah! sabes o quê cá quer tamém ? É que nã te esqueçase dos mês doze brenhoisinhes.(ponha lá iste da carta,mano Manel quela logue mentende.

Ah! agora só da nh’ avó erdi deze moedase e o estrafêgo todo da canóa.
Ê cá bem sei que tense uma menita mánica de custura e quése muite perfêta de mâose. Também ê cá sou!...

Digue-tiste e nã memporta com o pórque do tê pai.

Perdoi a arção.

 Embroise