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Lenda/História

Lenda/História

A mãe sentindo o filho, já homem e amigo de noitadas, chegar a casa pouco antes do amanhecer levantou-se da cama, já com as palavras engatilhadas, para o insultar e repreender, mas ao vê-lo com as feições totalmente alteradas só encontrou coragem para lhe dizer:

  • 0 que foi que te aconteceu João?...
  • Estás completamente branco e tens os cabelos em pé e os olhos esbugalhados!...
  • Até parece que viste uma assombração?!... A resposta foi imediata:
  • E vi mesmo mãe!... Para mal dos meus pecados
  •  Apanhei um cagaço tão grande que quase me deu uma tração...
  • Só por sorte não tenho os fundilhos das calças borradas...
  • Estive jogando ao "burro" no "Grémio" e como não estava com sorte e já era tarde dei a vez a outro e saí...
  • Ao passar em frente da "Igreja Grande" vi a porta anti-aberta e, pensando que fosse um velório, entrei...
  • Confesso que fiquei estarrecido com o que vi: a igreja estava repleta, só que de pessoas que já morreram porque, das mais próximas, duas, a cujo funeral fui, logo reconheci...
  •  Raspei-me imediatamente de lá!...
  •  Só me lembro de ter corrido tanto quando era moço e brincava "à deserta". 0 personagem desta história sempre jurou, por tudo o que tinha de mais sagrado, que ela não era uma invenção e dizia que ficou de tal maneira amedrontado que jamais voltou a passar, a horas mortas, pelo Largo da Restauração e que preferia caminhar um pouco mais e ir para casa por um outro lado a ter que visionar outra vez aquela defunta e aterrorizadora multidão. Porém, o nosso homem ora era, de facto, um predestinado vidente de aparições ou um tremendo e inveterado mentiroso pois garantia não só ter visto aquela, mas também ter tido outras visões, entre elas a da "Floripes" cantando, no seu estilo dolente e mavioso, na sacada dum prédio da Rua Almirante Reis e que, como em idênticas ocasiões, fugiu do local a sete pés por ser um confesso e assumido medroso.