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Histórias de Olhão / Personagens Tipicas

Tolinhas

Certa vez contou, com aquela sua maneira irreverente de falar, que num jogo em Olhão com o Benfica, fez, a um ângulo superior da baliza uma defesa tão espectacular e de um efeito cénico tão rica, que nunca se cansava de recordar, não pelo elogio da critica competente aquele seu voo levitante, mas sim e mais precisamente porque naquele bonito instante se sentiu, pela 1ª vez na vida, gente... Foi então que o grazina lhe gritou "Mó, ó tolinhas, o que é que te deu ?... Desces dai ou não ? lá de cima ele apenas respondeu - Na posso "Rosaira"..., entrou o vento no calção     
 

 

Lenda/História

A mãe sentindo o filho, já homem e amigo de noitadas, chegar a casa pouco antes do amanhecer levantou-se da cama, já com as palavras engatilhadas, para o insultar e repreender, mas ao vê-lo com as feições totalmente alteradas só encontrou coragem para lhe dizer:

  • 0 que foi que te aconteceu João?...

  • Estás completamente branco e tens os cabelos em pé e os olhos esbugalhados!...

  • Até parece que viste uma assombração?!... A resposta foi imediata:

  • E vi mesmo mãe!... Para mal dos meus pecados

  •  Apanhei um cagaço tão grande que quase me deu uma tração...

  • Só por sorte não tenho os fundilhos das calças borradas...

  • Estive jogando ao "burro" no "Grémio" e como não estava com sorte e já era tarde dei a vez a outro e saí...

  • Ao passar em frente da "Igreja Grande" vi a porta anti-aberta e, pensando que fosse um velório, entrei...

  • Confesso que fiquei estarrecido com o que vi: a igreja estava repleta, só que de pessoas que já morreram porque, das mais próximas, duas, a cujo funeral fui, logo reconheci...

  •  Raspei-me imediatamente de lá!...

  •  Só me lembro de ter corrido tanto quando era moço e brincava "à deserta". 0 personagem desta história sempre jurou, por tudo o que tinha de mais sagrado, que ela não era uma invenção e dizia que ficou de tal maneira amedrontado que jamais voltou a passar, a horas mortas, pelo Largo da Restauração e que preferia caminhar um pouco mais e ir para casa por um outro lado a ter que visionar outra vez aquela defunta e aterrorizadora multidão. Porém, o nosso homem ora era, de facto, um predestinado vidente de aparições ou um tremendo e inveterado mentiroso pois garantia não só ter visto aquela, mas também ter tido outras visões, entre elas a da "Floripes" cantando, no seu estilo dolente e mavioso, na sacada dum prédio da Rua Almirante Reis e que, como em idênticas ocasiões, fugiu do local a sete pés por ser um confesso e assumido medroso.

CARTA DO MARÍTIMO DE OLHÃO À NAMORADA

 Farcisca

 À diase do mar dase Berlengase, a sete braçase e mêa de mar, empensarem-se ase grosêrase Disto, vem de lá o mariola do tê pai e me dezeu. ele assim :
- Mó ó móce ! tu ése um montanhêre, tu fazes um grande salcrafice em virese ó mar !...
- Ah! 0 que é que você me dize, hom
- Digue-te iste e nã casase ca nha filha !
-Allamese ! Farcisca ! ê cá antese cria cu tê pai me desse doi ó trê estragaços da cara, que me dessesse aquil que tá ali da frente de gente.
Viémese pá terra e a companha do barque nã falava doutra coisa.
Disto, vem de lá o mano Zé Chaveca  e me dezeu ele assim:
-Mó, ó móce! Tase-te a ralar?
- Atão nã m´ êde ralar?
- Mã te ralese rapá, se nã casarese cúa filha dele casase ca minha
É pra, que vêjase, Farcisca, cainda tenhe pretendentase Tu pen­sase cú tê pai é o é o Prencêse D.Carlos? A tua mãi a Rainha D. Imélia e os tês ermãos os Enlefantesinhos ?
Alhamese ! ele é mai brute cá mãi dos penhêrese do mane João Luice.
Dêxa lá cuma viage quê face ó mar de Larache , ganhe o denhêre às braçadase. Compre um chapéu de côque, uma vengala botas de ren­gedêra e tapadoiro Passe a barlavante da tu porta e arraste os peses comó gale. Tu vêse‑me e falase-me, mai ê cá veje-te e nã te fale.
Ah! sabes o quê cá quere, é que nã falese mal da nha pelha prêces rebêres e tainquese.
Ai, se maparece alguma noda do mê corpe..
Digue logue que  forem vocêse que me fizerem mal, calha bem !
Ah! sabes o quê cá quer tamém ? É que nã te esqueçase dos mês doze brenhoisinhes.(ponha lá iste da carta,mano Manel quela logue mentende .
Ah! agora só da nh’ avó erdi deze moedase e o estrafêgo todo da canóa.
Ê cá bem sei que tense uma menita mánica de custura e quése muite perfêta de mâose. Também ê cá sou!...
Digue-tiste e nã memporta com o pórque do tê pai.
Perdoi a arção.

 Embroise  

 

 
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Portalito          | VoltarInformação |  Clientes | Alojamento de páginas|     Web Design | | Olhao.net Contactos |           30-01-2005 08:50:07

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