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Ria Formosa (Bivalves)

Introdução

Bivalves

Locais de Observação de Bivalves na Ria Formosa

Inventário de Bivalves

Familias

Exploração de Bivalves

 

 

Introdução

A Região Algarvia produz cerca de 90% dos bivalves consumidos do país, para uma produção anual de 7000 toneladas, ainda muito longe das possibilidades efectivas de exploração. Não restam dúvidas de que a ria formosa é um dos locais do país mais ricos em bivalves, nomeadamente amêijoas e berbigão. Os bivalves são seres exclusivamente bentónicos, isto é, vivem nos fundos, estando a maior variedade nos substratos constituídos por sedimentos ( areia, lodo, vasa). O seu habitat vai desde a zona verde de marés até águas mais ou menos profundas. A sua distribuição é mais densa na parte central dos viveiros, onde sofrem menos o efeito da maré vazia e constantemente da falta de água. A grande variedade de sedimentos e a existência de numerosos locais de abrigo a diferentes profundidades fazem da ria formosa um local privilegiado para as espécies que abordaremos nesta publicação.

 

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BIVALVES (Conceitos gerais)

Entre moluscos, e os bivalves constituem um dos grupos mais fáceis de identificar.

Qualquer um de nós já viu, no mercado ou no "prato", amêijoas ou berbigão, e certamente reparou que a característica morfológica mais evidente destes animais é o facto de terem o corpo dentro de uma concha constituída por duas partes. Cada uma dessas partes denomina-se valva, daí o nome de bivalves(igual a duas valvas).

As valvas podem ser iguais ou distintas, apresentando várias formas conforme as espécies. Ocorrem destas valvas arredondadas, valvas cuneiformes, ovóides, elípticas e outras.

As valvas estão unidas na parte posterior por um ligamento elástico. Por baixo deste ligamento, encontra-se a charneira - saliências em formas de dentes que encaixam de forma perfeita em reentrâncias da valva oposta.

A superfície externa da concha pode ser lisa ou então esculpida em linhas concêntricas, também chamadas linhas de crescimento, uma vez que se vão formando à medida que o animal cresce.

A parte interna da concha apresenta-se ligeiramente brilhante, devido a um revestimento da drepérola formado por lamelas horizontais muito ténues. Na parte interna as marcas de inserção dos músculos muitos especialmente dos músculos adutores, músculos muito fortes que o animal contrai ou distende para abrir ou fechar a concha. Dentro da concha está o corpo, mole, formado pela massa visceral (vários órgãos: fígado, estômago, intestino e outros), manto, pé e brânquias. Os bivalves são animais dotados de grande capacidade filtradora. Um só organismo pode filtar diariamente várias dezenas de litros de água. Como tal, têm grande capacidade de, sendo eles os responsáveis por muitas doenças de ordem hídrica, tais como, cólera, febre tifóide e hepatite. Isto alerta-nos, desde já, para a necessidade de manter os seus locais de crescimento e exploração em boas condições sanitárias. Além disso, em locais com poluição industrial, os bivalves concentrarão os resíduos industriais, altamente perigosos para a saúde.

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LOCAIS DE OBSERVAÇÃO DE BIVALVES NA RIA FORMOSA

São vários os locais da ria formosa, para observação de bivalves:

1º- Nas praias podem encontrar-se grande variedade de conchas. Apesar de muitas delas estarem erodidas, e portanto desprovidas das suas cores e traços originais, as praias constituem mesmo assim um local de fácil acesso, onde é possível recolher grande números de conchas.

2º- Nos mercados é possível encontrar as espécies comerciáveis. As mais comuns pertencem ao género tapes (amêijoas boas e amêijoas comum), cerastoderma (berbigão) ensis (lingueirão). Algumas espécies como a amêijoa branca, muito comuns no mercado, provêm na maior parte das vezes da região marinha adjacente.

- Locais de estrutura sólida (acessos portuários, locais rochosos, pontes, ancoradouros, etc..) servem para a fixaçãode algumas espécies sedentárias, das quais as mais abundantes são as pertencentes ao género Mytilus (mexilhões).

4º- Viveiros e interior da laguna. Nos viveiros podem-se observar os mariscadores na sua actividade de apanha. Entre as espécies aí cultivadas a Ruditapes decussatus (amêijoa boa) é a mais explorada.

Alguns viveiros, como os da ilha da culatra, podem ser visitados utilizando as carreiras diárias Olhão-Culatra-Farol e volta,  igualmente No entanto, para muito deles é imprescindível ter um barco, o qual permite explorar praias, cabeços, zonas de sapal, etc., nos quais é possível encontrar durante a maré vazia uma enorme variedade de espécies. É no interior da laguna que se pode observar os bivalves no seu habitat natural, no entanto há que ter cuidado de não perturbar outras espécies, nomeadamente aves, nem poluir ou sujar a ria.

 

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INVENTÁRIO DE BIVALVES

Apesar da concepção desta obra não ser para uso primordialmente científico, pensamos que, ainda assim, é útil a ordenação dos bivalves por famílias (grupo de parentesco). Sendo assim, os animais incluídos na mesma família partilham características morfológicas, fisiológicas e até de habitat.

As famílias são apresentadas por ordem alfabética.

A concha é fina e a valva inferior apresenta uma abertura aproximadamente circular. A cor e a forma variam muito. que compõe a concha.

É muito atraente devido ao seu aspecto brilhante, o qual provém de nácar.

Vive a pouca profundidade sobre os fundos especialmente agarrada a conchas vazias. É séssil durante toda a vida.

Para a encontrar basta inspeccionar conchas vazias submersas.

 

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Familias

FAMÍLIA CARDIIDAE

Espécie de concha grande com sulcos e saliências radiais alternadas e espinhos aguçados. Encontra-se frequentemente sobre todos os fundos arenosos. A sua concha encontra-se facilmente nas praias e na ria formosa a maré vazia.

FAMÍLIA CYPRINIDAE

A concha desta espécie é ligeiramente alargada, possui um esculpido pouco visível e atinge grande tamanho. Apresenta cor cinzenta com bandas mais escuras, muitas vezes unidas com manchas, parece de um modo geral que em todos os fundos sedimentares, embora com pouca frequência.

A concha perde facilmente a pigmentação em contacto com o sol, encontrando-se nas praias já esbranquiçadas.

Apresenta um esculpido concêntrico perfeito, o umbo curvado para a frente e uma cor branco-amarelada brilhante. Vive em fundos arenosos de estuário, regatos e canais. A concha encontra-se regularmente durante a maré vazia.

 

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EXPLORAÇÃO DE BIVALVES. OS VIVEIROS

A ria formosa as únicas dirigidas a bivalves são os viveiros. Segundo o plano de ordenamento da ria, a área ocupada por viveiros é aproximadamente de 100 hectares, espalhados um pouco por todo o parque.

Os viveiros começaram por ser uma exploração familiar, mantidos pelas mulheres e crianças, uma vez que os homens se ocupam na pesca.

Hoje o panorama é diferente, no entanto a mão-de-obra dos viveiros continua a ser maioritariamente feminina, e muitos continuam ainda a ser explorações familiares. Os viveiros parecem ter surgido algures nos anos 50 e 60, quando alguns indivíduos resolveram delimitar determinadas áreas de terreno com estacas.

Dado que as capitanias não dificultaram a legalização dos terrenos, as áreas delimitadas foram aumentando, hoje praticamente não existe mais espaço livre para os novos viveiros.

Actualmente as autoridades antes da concessão de terreno para viveiros averiguam se a zona é salubre, se não é banco natural e se a instalação do viveiro não não prejudica a navegação. Cada licença é válida por dois anos podendo ser renovada. No que diz respeito a localização, os viveiros situam-se na zona entre as marés, o que permite o acesso humano para a preparação do terreno, povoamento de apanha de espécies.

No entanto não deverão ficar situados em terrenos muito expostos ao ar, uma vez que a insolação directa prolongada tem efeito nefasto sobre os bivalves. Os melhores locais encontram-se na parte central do terreno onde a falta de água menos se faz sentir. As espécies aí colocadas crescem mais rapidamente.

Capturando "semente" para povoamento de viveiros e eventualmente para venda. como de pode ver na figura, o substrato é revolvido utilizando uma colher de mariscar.

Revolvendo o terreno o terreno na ilha da Culatra.

Nesta ilha a comunidade possui um pequeno tractor para o efeito.

 

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