As formas laguares costeiras são colonizadas por, praticamente todos os grupos taxonómicos do reino animal, mas são conhecidas, principalmente, pelo interesse que apresentam as espécies ictiológicas que nelas vivem. Os peixes encontram nestas formações zonas de abrigo de elevada produtividade e ricas em recursos tróficos, condições particularmente próprias para o desenvolvimento de inúmeras espécies, muitas de interesse comercial elevado. No entanto, tal como os restantes organismos laguares, as espécies ictiológicas estão submetidas ao ambiente estável e imprevisível, caracterizado por variações rápidas do nível da maré, pela alteração da velocidade e direcção das correntes e pela variação, por vezes brusca, de alguns parâmetros físico-químicos, principalmente, temperatura, salinidade e oxigénio dissolvido. Estas condições, por um lado, excluem a ocorrência de grande número de espécies, e por outro, beneficiam, com o seu potencial produtivo elevado e com a sua protecção considerável contra os predadores, aquelas que se encontram adaptadas. Neste caso estão, sobretudo, os juvenis, porque a profundidade reduzida das águas das formações deste tipo constitui importante factor limitativo da penetração da espécies predadoras que vivem no litoral adjacente.
A investigação desenvolvida na ria formosa tem comprovado a sua importância neste contexto geral das zonas ribeirinhas. De facto, e à semelhança do que se passa em formações costeiras idênticas, trata-se de sistema
altamente produtivo, que contribui de modo significativo para o rendimento em recursos vivos do litoral adjacente. A ictiofauna da ria apresenta diversidade específica elevada, sendo constituída por espécies sedentárias, às quais se adicionam as migradoras e as ocasionais.Assim, cada espécie ictiológica, de acordo com a utilização que faz da laguna, pode ser incluída num dos grupos seguintes.
a)- espécies sedentárias: cujo ciclo de vida decorre inteiramente no interior da ria, e portanto adaptadas a este ambiente de características instáveis.
b)- espécies migradoras: que ocorrem na ria apenas durante a idade juvenil ou sub-adulta, por isso dependendo deste biótopo nesta fase do seu desenvolvimento, depois do que migram para o mar, onde se completam o seu ciclo de vida.
c)- espécies ocasionais: cujo ciclo de vida decorre inteiramente no litoral adjacente e que acidental ou incidentalmente entram na ria, principalmente nas zonas mais próximas da interface com o mar.
Do ponto de vista da abundância relativa das diferentes espécies, os povoamentos ictiológicos da ria são distintos daqueles existentes nos meios tipicamente dulçaquícola ou marinho. Dado que não existe um afluxo importante de água doce, as espécies migradoras ocorrendo na ria são todas de origem marinha. A ictiofauna migradora é responsável pelas variações da biomassa lagunar, resultante dos deslocamentos que, periodicamente, realizam entre a ria e o mar.
De facto, observa-se desequilíbrio significativo entre as biomassas da espécies sedentárias e as das espécies migradoras, com vantagem para estas. Todavia, a ria não deve ser encarada como reservatório que enche e despeja periodicamente. Pelo contrário, constitui sistema dinâmico, com rotações estruturadas e equilibradas, regidas pelas estratégias de ocupação do meio e apropriação dos recursos.
FAMÍLIA CLUPEIDAE
Peixes prateados, barbatanas sem raios espinhados, barbatana dorsal única e pequena, geralmente oposta à anal, barbatanas pélvicas de posição abdominal, linha média ventral com quilha formada por uma série de escanas carenadas, escanas grandes, caducas.
Nome vulgar- Sardinha.
FAMÍLIA ENGARAULIDAE
Peixes de corpo geralmente alongado, frequentemente comprimido, com olhos grandes e focinho agudo proeminente, barbatanas sem raios espinhosos, barbatanas pélvicas de posição abdominal, barbatana dorsal curta, maxila inferior mais curta que a superior.
Nome vulgar- Biqueirão
FAMÍLIA ANGUILLIDAE
Peixes de corpo serpentiforme (anguliforme), barbatanas dorsal e anal confluentes com a cauda, geralmente bem desenvolvida, origem da barbatana dorsal bem atrás das barbatanas peitorais, barbatanas pélvicas ausentes, ânus situado a meio do corpo, boca terminal muito fendida atingindo o nível do meio olho, com a mandíbula ligeiramente projectada para a frente.
Nome vulgar- Enguia.
FAMÍLIA CONGRIDAE
Peixes de corpo serpentiforme (anguiliforme), sem escamas, barbatanas dorsal e anal confluentes com a caudal, barbatanas pélvicas ausentes, ânus situados na metade anterior do corpo, maxila superior mais saliente que a inferior.
Nome vulgar- Congro (Safio, no Algarve).
FAMÍLIA BELONIDAE
Peixes de corpo alongado, maxilas prolongadas num bico e revestidas por dentes caniniformes, todas as barbatanas apenas com raios segmentados, barbatanas dorsal e anal localizadas no terço
posterior do corpo, barbatanas peitorais curtas, com 6 raios e implantadas acima da linha média do corpo, linha lateral com início junto ao bordo ventral do opérculo, correndo próxima do perfil ventral do corpo e com um uma ramificação ao nível das barbatanas peitorais.Nome vulgar- Agulha
FAMÍLIA SYNGNATHIDAE
Peixes de corpo delgado e alongado, protegido por placas dermais organizadas de modo a formarem séries de anéis, focinho geralmente prolongado em forma de tubo, na extremidade do qual se abre uma pequena boca, sem linha lateral, sem dentes, sem barbatanas dorsal e pélvicas espinhosas.
Nome vulgar- Cavalo marinho
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